Quem já ouviu algo do tipo: "sabia que ELE VAI na psicóloga!?!..." ou "é que quando criança tinha uns problemas e ia ATÉ na psicóloga!!!"
Estas frases refletem um olhar estigmatizador sobre o trabalho de acompanhamento terapêutico. Se você falar que foi em pediatra, dentista, fazia aula de natação, ou algo do gênero, a reação é neutra. A diferença está numa concepção - que vem sendo superada ainda bem - de que psicólogo é "SÓ PARA LOUCO",ou é para "QUEM TEM ALGUM PROBLEMA NA CABEÇA".
Hoje consigo dizer, baseada nas minhas próprias vivências pessoais, e da experiência clínica, que ir ao psicoterapeuta é algo prático e simples, que auxilia bastante - MESMO -, e é uma ferramenta para pessoas saudáveis e que buscam se sentir MELHOR. Vamos ver cada uma dessas frases e pensar sobre elas:
"Só para louco": aaqui o que não está certo é o termo "SÓ", em que seria o objeto de atendimento somente pessoas que trazem algum tipo de loucura. O público alvo da psicologia são as pessoas, assim todos podem ser atendidos. (Um bom exemplo é o trabalho de psicólogo do esporte, em que acompanha atletas renomados... ) - então o correto seria "TAMBÉM para louco", onde a loucura, que faz parte também dos focos de estudo e intervenção da psicologia, vou deixar como um tema de debate para um outro post. (enquanto isso pode ler sobre a luta antimanicomial que já te auxilia no repensar.)
"É para quem tem algum problema na cabeça": diferente de outras especialidades, em que o humano é dividido em partes (o neuro vai ver a cabeça, já o orto vai ver o ombro, joelho e pé.), a psicologia trata-o de forma ampla, completa e sistêmica, que vai do seu sentimentos e funcionamentos interno até as relações sociais e reações ao externo. Então a "dor da alma" não tem local definido, e nem sempre é um PROBLEMA, e sim pode se tornar a CHAVE PARA A TRANSFORMAÇÃO, ao ser bem elaborado e ressignificado. (um bom exemplo é o apoio a quem teve uma perda recente - luto, separação, mudança... - que não tem relação com o funcionamento da cabeça, e sim com a situação presente.
"sabia que ele vai na psicóloga?!?!": Neste caso, mostra que é alguém, ou filho de alguém, que tem CONSCIÊNCIA de suas buscas, e sabe onde buscar auxílio. Que bom para ele então! (esta frase se torna um elogio ;)) Tanto que é por isso que psicólogos e precisam ser acompanhados também por outro profissional da área terapêutica.
"é que quando criança tinha uns problemas e ia ATÉ na psicóloga": Esta frase fala como se fosse uma última saída a busca de apoio pelos pais, ou indicação da escola. A indicação de apoio psicológico para crianças é corriqueiro, e não é visto como ação emergencial ou só para casos extremos. É sim comum estar buscando estes profissionais, pois o ato de educar filhos é singular para cada família, e as relações, acontecimentos, sistemas, funcionamentos, podem mover os sentimentos da criança em direções contrárias às que os pais ou familiares pensam "estar preparados". Na verdade ninguém "está preparado", e sim estamos todos no mesmo barco, que muda com a maré, exigindo novas estratégias a serem feitas.
O método com o qual trabalho, está dentro dos princípios da terapia sistêmica familiar, considerada uma terapia breve, porque ao unir todos os integrantes da família no trabalho terapêutico da criança, o movimento se configura de forma eficaz e em menos sessões. Cada membro tem a oportunidade de entrar em contato consigo, e reconhecer também quem são e o que sentem aqueles que dividem a mesma casa. A busca pela solução não se dá de forma inversa, em que a criança é o foco de intervenção única e isolada, atendida sempre sozinha, e "se ela melhorar, já resolve tudo". Este "tudo" é ilusório quando percebe-se que o sistema é mais amplo, e a criança está dentro dele. A criança pode sim melhorar, retomar confiança, e seguir de forma mais positiva. Porém pesquisas comprovam que todo o sistema familiar buscando melhorar, aí sim o resultado vem se facilitar. Pois com frequência a criança (ou outro membro da família) está expressando algo para que a mudança no sistema aconteça, nem sempre é nela que se iniciou a causa do sintoma...
Assim, concluo que, criança e psicologia combinam sim, e sim, muitas vezes precisa. E isso é saudável e normal!
p.s. Neste caso, como meu trabalho terapêutico foca o sistêmico, é desse lugar que posso estar contribuindo sobre a psicoterapia infantil aqui no blog. Ressalto que há diversas outras maneiras e métodos utilizados com crianças que são eficazes e toda forma de apoio terapêutico é positiva para elas! Gosto de conhecer mais, então deixe seu comentário que assim crescemos juntos :)
Gisele Cristina Voss
Psicóloga
Consteladora sistêmica
CRP 08-18117
Dois Vizinhos - PR
Estas frases refletem um olhar estigmatizador sobre o trabalho de acompanhamento terapêutico. Se você falar que foi em pediatra, dentista, fazia aula de natação, ou algo do gênero, a reação é neutra. A diferença está numa concepção - que vem sendo superada ainda bem - de que psicólogo é "SÓ PARA LOUCO",ou é para "QUEM TEM ALGUM PROBLEMA NA CABEÇA".
Hoje consigo dizer, baseada nas minhas próprias vivências pessoais, e da experiência clínica, que ir ao psicoterapeuta é algo prático e simples, que auxilia bastante - MESMO -, e é uma ferramenta para pessoas saudáveis e que buscam se sentir MELHOR. Vamos ver cada uma dessas frases e pensar sobre elas:
"Só para louco": aaqui o que não está certo é o termo "SÓ", em que seria o objeto de atendimento somente pessoas que trazem algum tipo de loucura. O público alvo da psicologia são as pessoas, assim todos podem ser atendidos. (Um bom exemplo é o trabalho de psicólogo do esporte, em que acompanha atletas renomados... ) - então o correto seria "TAMBÉM para louco", onde a loucura, que faz parte também dos focos de estudo e intervenção da psicologia, vou deixar como um tema de debate para um outro post. (enquanto isso pode ler sobre a luta antimanicomial que já te auxilia no repensar.)
"É para quem tem algum problema na cabeça": diferente de outras especialidades, em que o humano é dividido em partes (o neuro vai ver a cabeça, já o orto vai ver o ombro, joelho e pé.), a psicologia trata-o de forma ampla, completa e sistêmica, que vai do seu sentimentos e funcionamentos interno até as relações sociais e reações ao externo. Então a "dor da alma" não tem local definido, e nem sempre é um PROBLEMA, e sim pode se tornar a CHAVE PARA A TRANSFORMAÇÃO, ao ser bem elaborado e ressignificado. (um bom exemplo é o apoio a quem teve uma perda recente - luto, separação, mudança... - que não tem relação com o funcionamento da cabeça, e sim com a situação presente.
"sabia que ele vai na psicóloga?!?!": Neste caso, mostra que é alguém, ou filho de alguém, que tem CONSCIÊNCIA de suas buscas, e sabe onde buscar auxílio. Que bom para ele então! (esta frase se torna um elogio ;)) Tanto que é por isso que psicólogos e precisam ser acompanhados também por outro profissional da área terapêutica.
![]() |
| Sentir tristeza, alegria, raiva, ciúme, amor... nem sempre é tão fácil. |
O método com o qual trabalho, está dentro dos princípios da terapia sistêmica familiar, considerada uma terapia breve, porque ao unir todos os integrantes da família no trabalho terapêutico da criança, o movimento se configura de forma eficaz e em menos sessões. Cada membro tem a oportunidade de entrar em contato consigo, e reconhecer também quem são e o que sentem aqueles que dividem a mesma casa. A busca pela solução não se dá de forma inversa, em que a criança é o foco de intervenção única e isolada, atendida sempre sozinha, e "se ela melhorar, já resolve tudo". Este "tudo" é ilusório quando percebe-se que o sistema é mais amplo, e a criança está dentro dele. A criança pode sim melhorar, retomar confiança, e seguir de forma mais positiva. Porém pesquisas comprovam que todo o sistema familiar buscando melhorar, aí sim o resultado vem se facilitar. Pois com frequência a criança (ou outro membro da família) está expressando algo para que a mudança no sistema aconteça, nem sempre é nela que se iniciou a causa do sintoma...
Assim, concluo que, criança e psicologia combinam sim, e sim, muitas vezes precisa. E isso é saudável e normal!
p.s. Neste caso, como meu trabalho terapêutico foca o sistêmico, é desse lugar que posso estar contribuindo sobre a psicoterapia infantil aqui no blog. Ressalto que há diversas outras maneiras e métodos utilizados com crianças que são eficazes e toda forma de apoio terapêutico é positiva para elas! Gosto de conhecer mais, então deixe seu comentário que assim crescemos juntos :)
Gisele Cristina Voss
Psicóloga
Consteladora sistêmica
CRP 08-18117
Dois Vizinhos - PR



Comentários
Postar um comentário