Pai é aquele homem, que é jardineiro, mesmo sem saber.
Em seu amor pleno, semeia na
mulher sua continuidade de vida, e quando esta semente começa a crescer, ele percebe
na mãe terra que sua cor, sua textura, sua força mudam. E com cuidado, aguarda
sua semente brotar, buscando adubar com amor esta frágil extraordinária espera.
Não sabe direito o que fazer, fica difícil de entender o que ali dentro se
passa, mas acredita no cuidar mesmo sem ver.
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E depois de
9 meses (ou menos), vê seu broto surgir, frágil e delicado, com pequenos ramos
de amor transformados em um bebê. Um bebê que nesta família se torna uma
pequena plantinha.
Papai
jardineiro dá um vasinho confortável e seguro, dá água, dá adubo, coloca no
sol, protege da chuva, e a cada nova folha que surge, a cada novo broto de flor
que aparece, celebra como se fosse a conquista de uma medalha de ouro.
E, mesmo
sem querer, percebe que sua participação no crescimento desta planta é
essencial, e às vezes sua parte é fazer a poda, ou direcionar alguns galhos.
Como qualquer criança, esta plantinha cresce, nas direções que consegue, e é
neste momento que o apoio do pai jardineiro vem, através de orientações e
limites amorosos, que oferecem a segurança e a ajuda que são necessários para o
tronco e as raízes se fixarem.
Papai e
mamãe jardineiros acompanham de perto esta florzinha, que de pequena e frágil
se torna uma árvore, e, mesmo sem querer, ajudam-na a ser transplantada para
vasos maiores... até que um dia ela escolhe uma terra para fixar suas raízes.
Se a terra
é perto ou longe, de qualquer forma ficam ansiosos com esta mudança, com medo
de que esta plantinha que era tão frágil e dependente dos nutrientes e apoio da
mãe terra, e dos cuidados do pai jardineiro, não se adapte no novo solo. Mas
com o passar do tempo descobrem que, independente dos terrenos que estas
plantinhas grandes forem plantadas, sempre estarão ligados. O afeto paterno e
materno vai dentro da seiva, circulando desde as raízes até as folhas mais
altas.
E, de
repente, algumas destas plantas, criam sementes que dão novos frutos, e aquele
homem vira um avô, repetindo tudo, mas com olhos e mãos de um experiente
jardineiro...
Gisele Cristina Voss
Publicado no Jornal Tribuna dos Lagos na semana do Dia dos Pais 2013

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