Artigo: ALÉM DE UM NARIZ VERMELHO: DIÁLOGOS ENTRE A EXPERIÊNCIA DE SER PALHAÇO E A ANÁLISE BIOENERGÉTICA


 RESUMO e Justificativa do meu artigo de Conclusão de Curso de Psicologia:

ALÉM DE UM NARIZ VERMELHO: DIÁLOGOS ENTRE A EXPERIÊNCIA DE SER PALHAÇO E A ANÁLISE BIOENERGÉTICA
Gisele Cristina Voss
Orientador: Gilberto Gaertner
Universidade Positivo - 2011

 


Resumo
Este artigo propõe uma aproximação entre aspectos da experiência de ser palhaço e da análise bioenergética, elencando buscas em comum entre eles, através da investigação do que envolve emocionalmente o artista que trabalha como palhaço. Baseando-se no entendimento do palhaço como um processo de busca pessoal, de pesquisadores como Jesus Jara e Alain Vigneau, e promovendo um diálogo com a abordagem de psicologia proposta por Alexander Lowen. No formato de um estudo de casos múltiplos, foram entrevistados oito palhaços profissionais, de diferentes lugares e áreas de atuação, sendo realizada a análise de discurso como metodologia. O presente estudo promove o diálogo em três dimensões (3D): pessoal, psicoemocional e social, articulando os depoimentos, os aportes da arte do palhaço, e as propostas da literatura da análise bioenergética. Foram encontradas buscas em comum entre essas duas teorias, como a liberdade, o autoconhecimento, a manifestação das emoções, os processos energéticos, auto-aceitação e a relação social. Assim um diálogo fluído entre a experiência de ser palhaço e a análise bioenergética aconteceu, apresentando contribuições para ambas as teorias. A análise bioenergética traz um aporte teórico para aspectos do processo de construção do palhaço, assim como exercícios práticos. A metodologia de palhaço contribui ao ser vista como condensador de muitas características do humano, trazendo possibilidades e recursos para o processo de autoconhecimento buscado em psicoterapia, como o uso do ridículo. Foi verificada também que as possibilidades de manifestação de emoções e a liberdade do artista neste ofício justificam a opção dos entrevistados por fazer isto pelo resto da vida. Um artigo que ajuda a lembrar que o palhaço é uma pessoa que vive e sente, muito além de um nariz vermelho.
Palavras-chave: palhaço, análise bioenergética, psicologia, clown, autoconhecimento.

 


Abstract
This article has the purpose of an approximation between the clowning experience and bioenergetic analysis, listing common objectives between them,  based in an investigation of the artist’s emotional involvement as a clown. Based in a clown’s methodology based on a personal search, as the researchers Jesus Jara and Alain Vigneau explain, and promoting a dialogue with the Alexander Lowen’ psychological approach. As a multiple case study, eight professional clowns were interviewed, from different places and working areas, applying the speech analysis as methodology. This study has a dialogue in three dimension (3D): personal, psycho-emotional and social, relating the participants’ speech, the clown’s theory and the bioenergetics analysis literature. Common searches were found between this two theories, as the freedom, the self consciousness, emotional expression, energy, self acceptance and social relationship. For this reason, a good dialogue between the clown’s experience and the bioenergetics analysis happened, bringing contributions for both theories. The psychological approach brings a theoretical support for different aspects of the clown’s study, and practical exercises either. The clown’s methodology contribute as is understood like an human characteristics condenser, showing possibilities and resources for an self consciousness process, present in psychotherapy. Was also verified that the emotional expression and freedom of this kind of artist, justify the the participants’ life option. An article that helps to remember that the clown is also a person, who lives and feel, beyond a red nose.
Keywords: Clown, BioenergeticAnalysis, Psychology, selfconsciouness.

ABERTURA


Como em qualquer apresentação de palhaço que se assista, surgem curiosidades sobre aquela pessoa que se dispôs a estar ali caracterizado. Com essa vontade sendo maior do que eu, acabei me tornando palhaça em 2002. E na faculdade de psicologia minha curiosidade ampliou, o que afetou também minha forma de ver o mundo.
Assim, as perguntas que me fazia recorrentemente: “Porque afinal ser palhaço?” e ”Qual a relação com a psicologia?” resultaram neste artigo. Aproveitando a brecha da obrigação de um trabalho de conclusão de curso, mergulhei entre sapatos exagerados, carecas, tortas e roupas esquisitas, para descobrir os diálogos possíveis entre a psicologia e a arte do palhaço. Com a curiosidade como combustível e o afeto como produção, surgiu esta pesquisa.
Como uma palhaça que (ainda) não gosta de entrar sozinha num palco ou picadeiro, convidei outros para me ajudarem a conduzir o espetáculo. Para a parte técnica da arte do palhaço, me baseei principalmente nas contribuições de Jesus Jara e de Alain Vigneau e para formar um trio, trazendo a teoria da psicologia, apoiei-me em Alexander Lowen, o criador da Análise Bioenergética. Mas como em toda apresentação artística e científica, outras influências foram usadas, afinal neste roteiro a maior parte dos números são participativos[1].Este artigo então foi criado tendo como base as afetações produzidas durante esta pesquisa, onde os protagonistas são as pessoas convidadas a responder as entrevistas.
O roteiro deste texto está dividido em cinco partes: Abertura, que traz, além dessa justificativa, uma base sobre os temas do palhaço e da bioenergética; No Camarim, que apresenta a metodologia utilizada; Espetáculo, onde os resultados das entrevistas são apresentados sinteticamente, analisados e dialogados com a psicologia; Passando o Chapéu[2], onde foram construídas as considerações finais; e Aplausos, ao finalizar com o devido crédito às referências utilizadas.



[1] Número participativo é quando o palhaço chama pessoa(s) do público “voluntariamente” para ajudar em alguma parte de sua apresentação.
[2]Passar o chapéu é a forma de pagamento de ingresso para um espetáculo de rua. O artista passa um dispositivo (chapéu, sacola, balde...) para recolher o dinheiro do público antes do final do espetáculo.


- Posso enviar por e-mail o artigo na íntegra em pdf :0) - aspirinapergunta@gmail.com

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