Dia de Finados: afeto sem fim.
É natural sentirmos falta daqueles a quem
dedicamos nosso afeto, com quem compartilhamos momentos e aprendemos a
conviver. O processo de dor e luto fazem parte de uma despedida, para nos
separarmos de quem já não vemos por aqui.
Tratar a morte como um tema proibido, os mortos
como esquecidos e o luto como patologia, impedem que esta passagem seja
saudável e natural. Essas atitudes reduzem a
experiência complexa que é conviver com alguém ao nosso lado, e o afeto que
tudo isso proporciona. A dor pela falta é a parte a ser superada, para que a
lembrança afague a saudade.
No dia dos finados temos a
oportunidade de perceber como a morte faz parte da vida. Um momento para nós,
que ainda estamos aqui, lembrarmos de honrar e agradecer a tudo que recebemos,
bom ou ruim, daqueles que já partiram. Vejamos como uma homenagem, uma prova de que em nossa
alma e coração os mortos estão sempre presentes.
Neste processo, o luto alivia a
perda, e aos poucos transforma a dor em saudade. Não há data de validade para o
afeto que sentimos por alguém, e sempre há um dia, uma data, uma música, que
trazem as lágrimas, e aquele aperto no peito. Sentir isso é tão forte, que vida
e morte se misturam e se diluem uma na outra. Se constroem e se desfazem na
beleza da existência humana!
Colaboraram na escrita do texto: Ed Antunes e
Marusa Gonçalves
Publicado na coluna Afeto,
Família e Psicologia – Jornal Tribuna dos Lagos – 26-10-2012
Foto de um túmulo e sua homenagem, no cemitério Recoleta - Buenos Aires
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